
Há alguns anos vem se discutindo com freqüência os efeitos do chamado “aquecimento global” e seus malefícios para a humanidade. Claro, nada se compara a freqüência e proporção que o assunto tomou na mídia atualmente, pois o assunto saiu da probabilidade de acontecer e tornou-se conseqüência efetivamente! Este ano de 2007 especificamente, as conseqüências do “efeito estufa” fizeram-se sentir mundialmente, e, muitas das maravilhas do mundo estão fadadas ao desaparecimento, principalmente às próximas dos oceanos, vítimas prováveis do aumento do volume das águas em cidades litorâneas.
É no desenvolvimento que encontramos o principal vilão da história! “Metas”, “crescimento de x% por ano”, “aumento do PIB interno”, “exploração do desconhecido” e tantos outros motivos que impulsionam o ser humano a destruição de sua própria espécie. Começam a surgir algumas tentativas de retroceder a destruição e deixar alguma coisa de bom aos sucessores. E aí se incluem as discussões sobre a emissão de gases poluentes dos automóveis e as novas tendências dos combustíveis a base de etanol. Alternativa esta, que vem sendo mostrada pelo Brasil ao mundo desde meados da década de 70 e agora, somente agora, também cobiçado pelo “Tio San”.
Observando–se este conturbado cenário de perspectivas nada animadoras, vê-se no contraponto chabascadas de apelos mercadológicos de “compre & compre”, impostas praticamente dia e noite. Os mesmos norte-americanos apontam pesquisas em que somos expostos a aproximadamente 1.200 apelos de consumo diário nos centros urbanos.
E aí, caro leitor, como resolver o grande impasse de desenvolvimento, as estratégias de Marketing e o aquecimento global? As estratégias de Marketing da grande maioria das empresas buscam aquecer o que afinal?
O consumo é tão antigo quanto a própria existência humana. Consultando o dicionário, encontrará o significado: “consumo: gasto, uso de mercadorias” e “consumidor: quem compra para gastar em uso próprio”, e este, muitíssimo instigado pelo Marketing. Até aqui o leitor deve estar se perguntando: Aonde o autor quer chegar? Será mais um texto incentivando o consumismo?
Não se preocupe, caro leitor, somente quero fazer um alerta a partir do cenário “apoteótico” difundido para o fator que poderá aquecer o marketing neste século.
A alternativa para as empresas aquecerem seus negócios, opondo-se ao contexto do “efeito estufa” é a opção por ações em seu negócio de consciência ecológica e integrando o Marketing tradicional ao Marketing Verde, também chamado Ecomarketing. Este tem seu objetivo voltado a produção e divulgação de produtos corretamente produzidos sem alterar ou trazer conseqüências, ou o mínimo de conseqüência negativa ao meio ambiente.
A Europa, desde os anos 80, obriga as empresas a obterem o “selo verde” que comprova a origem ecologicamente correta de seus produtos. Quesito que é imprescindível para comercializar produtos naquele continente. Esta preocupação com o meio ambiente, antenado com o Marketing Verde, além de ser a esperança de produtos com melhores e corretos processos de produção, elevam a imagem da empresa diante das comunidades.
Empresas como O Boticário, Natura, Bosch, AmBev são apenas alguns exemplos de empresas que têm vários projetos ecologicamente corretos a indicar: O Boticário mantém a reserva natural Salto Morato, no município de Guaraqüeçaba no Paraná, cerce de 80 Km de Curitiba, com mais 10.000 espécies preservadas entre fauna e flora, bem como nesta propriedade famílias nativas produzem artesanalmente embalagens de vime para as lojas da rede O Boticário. A Bosch, desde o ano de 2005, recebeu a certificação ISO 14.000, que corresponde a iniciativas ecológicas corretas, tendo como um dos projetos mais renomado o processo de lixo seletivo, que começa como ação de ordem na indústria, permeando a casa dos colaboradores e expressa em sacolas recicláveis de Supermercados. As chamadas “sacolas coloridas”, que ensinam a população a separar o lixo.
A Natura lançou um sistema de venda para que os clientes troquem o refil de vários de seus produtos, com embalagens recicláveis, provocando ao consumidor o consumo consciente, sensação de ser correto e imagem de empresa preocupada com os problemas ambientais.
Você deve estar pensando, sim, mas estas empresas são de grande porte e possuem poder econômico para projetos de grande repercussão. É, mas isso é para você também! Isso mesmo, pra você mesmo: quanto ser humano, membro de uma sociedade, pai ou mãe de família, filho ou filha de pais que estão envelhecendo e vendo que tudo o que faziam “na” natureza, como nadar nos límpidos rios, brincar, correr livremente já não fazem mais parte das brincadeiras de seus filhos, quiçá para seus netos! E para o empresário, pequeno, médio ou grande, aí, a responsabilidade é bem maior. E nem procure desculpas, afirmando que as suas ações não terão efeito nem negativo, nem positivo diante do tamanho deste mundo.
Inicie sua campanha de Marketing Verde! Ações como: adotar um canteiro de flores que provavelmente há perto de sua empresa, da sua casa, da escola de seu filho e ninguém dá atenção, um gramado que necessita de corte, um pouco de adubo para ser valorizado, uma árvore que está fazendo uma enorme falta para proporcionar sombra e retoque tudo com uma pequena placa de sua empresa: “adotado pela empresa x”. Lixeiras da sua quadra que podem receber uma simples pintura ou quem sabe uma lavagem, para voltar a ser notada e evidencie com a logomarca de sua empresa, bem visível, como autora de uma ação de consciência ecológica.
Depois destas ações, verás que a necessidade de levar as ações ecologicamente corretas para dentro de sua empresa crescerá! E integre seus funcionários, cobre de seus fornecedores! Há muitas ações ecologicamente corretas, é só querer! Pode acreditar!
Prof. Adm. Ronald Pires da Silva
Professor e Consultor de Empresas